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A Camuflagem

Você já parou para refletir quanto em nosso dia a dia sofremos com a pressão dos movimentos da vida? E que a nossa primeira reação diante daquilo que nos incomoda ou agride é nos defendermos? Um dos nossos mecanismos de defesa é a Camuflagem?

Vamos então, juntos com Dr. Paulo Zabeu, refletir sobre a Camuflagem, seus efeitos em nossa vida e compreender a importância da Meditação como principio essencial para eliminá-la, nos tornando pessoas autênticas, eficazes e produtivas.

“Camuflagem é o mecanismo primitivo de defesa utilizado para ocultar a nossa verdadeira identidade.” Dr. Paulo Zabeu

No movimento da vida, circunstâncias adversas fazem parte do nosso dia a dia. Nossa forma de agir e reagir diante dessas circunstâncias é que poderá fazer a diferença em nossa escala de evolução e elevação no universo.

Estamos sempre armados para defender nossos interesses e quando somos contrariados a irritabilidade se instala em nossas atitudes e comportamento. Assim sem observar e refletir somos arrastados pelo descontrole de nossas emoções que oscilam entre as 2 polaridades que nos levam ao fracasso: a impulsividade – “que é a ação descontrolada movida pelas emoções.” e a omissão, “que é a postura de fuga ou indiferença interna diante dos fatos da nossa realidade.”

“Irritabilidade é o movimento contrário a nossa vontade” Dr. Paulo Zabeu

Ela nos expõe nos deixando desgastados, assim desenvolvemos o mecanismo primitivo da camuflagem para nos esconder e ficar em nossa zona de conforto.

Estando na zona de conforto acreditamos que estamos sempre certos e que somos vítimas das pessoas e das situações contrárias as nossas ilusões e desejos. Criamos uma pressão interna diante da situação, agindo impulsivamente ou de forma omissa. Vamos a um exemplo prático e corriqueiro:

Você está deitado confortavelmente em sua cama, já quase pegando no sono quando ouve o gotejar do chuveiro, que não foi fechado direito, então ao invés de você levantar e resolver o problema, você cria uma pressão interna diante da situação, o que de imediato lhe causa uma irritação, pois você já estava quase dormindo e o barulho está lhe incomodando, mas a cama está uma delícia, é preciso mesmo levantar e resolver o problema? Ah! É melhor dormir, amanhã eu resolvo! Então você vira de lado e tenta dormir, mas internamente você está contrariado e acaba deixando o comodismo de sua mente vencer sua força de vontade de levantar e resolver o problema e dormir sem pendências e irritação.

A camuflagem é um artifício que destrói os relacionamentos, com o tempo vamos deixando de enxergar a realidade das coisas, mesmo sabendo que estamos errados criamos situações que não aceitamos, embora a vida nos mostre que estamos errados preferimos nos esconder atrás das nossas mentiras e ilusões.

Para quebrar esse condicionamento primitivo de nos esconder temos como ferramenta essencial a meditação, que se praticada com disciplina e continuidade nos torna pessoas autenticas e com clareza mental para nos posicionar e agir diante de qualquer circunstância da vida.

Segundo Dr. Paulo Zabeu em seu livro “Faça Você Mesmo o Seu Destino”, clareza mental é a lucidez com que vemos e realizamos as coisas, sem perder a verdadeira dimensão dos fatos ou da realidade que nos cerca, sejam elas grandes ou pequenas. É ter a sensibilidade unificada, a razão e a lógica de agir, dividir e compartilhar, sem confundir o certo e o errado nos movimentos da vida.

É ser eficaz fazendo o que tem que ser feito dentro do tempo e do espaço em harmonia absoluta comigo mesmo e com o todo.

Vamos então aos passos para meditar, que significa parar de pensar, educando a nossa mente e mergulhando em outros níveis de consciência que habitam em nosso espírito.

Sugerimos a você leitor que ao iniciar a prática da meditação, procure fazê-la de preferência sentado de forma confortável e com a coluna ereta, trabalhe seu ritmo respiratório de forma lenta, profunda e tranqüila, feche o olhos e procure observar a si mesmo. A meditação se praticada de forma natural e disciplinada, com o passar do tempo pode ser feita em qualquer lugar em que estejamos, dirigindo, cozinhando, até mesmo fazendo amor.

1) Passo: Varredura

Requisitos para a Varredura

- Força de vontade direcionada para o autoconhecimento – ter coragem para encarar a si mesmo, sua mente e suas camuflagens, é como entrar no rio, mesmo sabendo que nele há crocodilos;

- Ter continuidade e disciplina nesse processo;

- Praticar as 5 Regras: Observar, Refletir, Tomar Atitude, Agir e Saber Esperar. Vamos exemplificar essa prática fazendo uma analogia com o preparo de uma sopa que está fervendo em um grande caldeirão. A mente seria o caldeirão e os ingredientes da sopa, que estão borbulhando com o calor do fogo são os nossos condicionamentos, que são frutos de nossas atitudes repetitivas milenares, sem reflexão, alimentadas pelas chamas das nossas emoções sem controle.

Ao mexemos a sopa teremos que identificar seus ingredientes, mas não poderemos ainda experimentá-la, pois está quente e poderá nos queimar, assim vamos observar seu conteúdo, o cheiro e as sensações que ela provoca em nós. Com a mente é a mesma coisa, na varredura vamos deixar rolar, apenas observando o que ela nos traz, identificando cada pensamento, cada núcleo mental, nossos medos, inseguranças, descontroles, ilusões, carências, situações mal resolvidas, pendências. Questione a si mesmo onde está a raiz desses núcleos, reflita de onde e como surgiram e porque você está os alimentando, aonde você chegará com eles. É como assistir a um filme de nós mesmos na televisão no canal da nossa vida, vamos identificando nossos reais interesses e camuflagens. Se não surgir nada, cuidado, observe se você não está escondido em sua zona de conforto. Quando estamos dispostos a trabalhar o autoconhecimento a mente naturalmente trará a tona nossas principais incomodações.

Assim estaremos praticando a varredura, exercitando o observar, buscando as raízes dos nossos condicionamentos, sem se envolver emocionalmente e nos desviar do nosso objetivo. Durante esse processo como estamos acostumados a obedecer a nossa mente, agindo sem observar e refletir podemos perder o foco, mergulhando nos pensamentos e nos envolvendo emocionalmente com eles.

Mas não desista, respire fundo e retome a observação.

Com a prática do observar os pensamentos vão se acalmando e se reorganizando, é como esperar a sopa esfriar quando você desliga o fogo, para poder saboreá-la com calma. Na varredura vamos tomar consciência da nossa realidade interna, para que possamos avançar para o próximo passo.

Dicas para facilitar a varredura:

No dia a dia, comece a trabalhar com disciplina e continuidade para eliminar as pequenas pendências. As pendências vão distraindo a nossa atenção ofuscando nosso foco, nos desgastando física e mentalmente. Eliminando as pendências começamos a organizar nosso universo mental, eliminando os excessos.

Pare de se debater, justificar, arrumar desculpas e negar suas dificuldades internas. O melindre e a suscetibilidade alimentam a nossa irritabilidade, que será proporcional ao tamanho da nossa arrogância e vaidade.

2) Passo: Impessoalidade

“É a habilidade de emergir em si mesmo, mergulhar no universo de conflitos e soluções para descobrir o que é certo ou errado e fazer o que tem que ser feito.” – Dr. Paulo Zabeu

É, durante o processo de meditação, fazer um balanço interno para saber o que realmente sou, o que já tenho e o que preciso conquistar.

É assumir a minha realidade atual, computando as minhas virtudes e imperfeições para planejar minha reconstrução. É a hora derradeira de saber e aceitar meus limites atuais sem culpa e trabalhar, incessantemente para superá-los, trabalhando para zerar a impulsividade e a omissão. Separando o que não me serve mais, buscando refletir e absorver as experiências vividas, transformando-as em aprendizado e maturidade para a vida.

3) Passo: Neutralidade

De forma natural vamos avançando nos passos, cada um dentro do seu nível de consciência. Trabalhando a varredura e a impessoalidade, como resultado, na neutralidade, saberemos buscar o equilíbrio entre os fatos que acontecem fora de nós neutralizando seus efeitos das emoções. Seremos neutros diante das adversidades e pressões externas, utilizando do sumo das experiências para colocar com discernimento cada coisa no seu lugar, fazendo a coisa certa, no momento certo para a pessoa certa e do jeito certo. Sem camuflagem.

4) Passo: Vacuidade

É o pensamento zero. É tomar consciência de quem verdadeiramente somos, despertando nossas virtudes e adentrando outros estados de consciência cósmica, mergulhando dentro de nós mesmos. É um processo íntimo, eterno e infinito.

Seguindo esses passos, que só dependem única e exclusivamente do nosso esforço e disposição interna com certeza eliminaremos a camuflagem de nossa vida, nos tornando pessoas autênticas, firmes e ponderadas trazendo harmonia e movimento produtivo para o bem do todo em qualquer lugar em que estejamos.

Quem quiser saber mais sobre os temas aqui abordados, recomendamos a leitura dos livros “5 Regras para Vencer seus Limites” e “Faça Você Mesmo o seu Destino” do Dr. Paulo Zabeu.

Campinas, 24 de maio de 2009.

Artigo escrito por Carmen Lúcia F. Martines - Psicopedagoga Coordenadora de Projetos Educacionais e Educadora Voluntária da Fundação Bezerra de Menezes.