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A Autogestão Integral e o Controle das Emoções

Grande parte da humanidade sofre nos dias de hoje de um mesmo mal: a depressão. Em diferentes escalas todos nós convivemos com ela, em forma de grandes crises, ou pequenas angústias, às vezes de tempos em tempos, às vezes diariamente. Você já se questionou de onde ela vem? Qual será sua causa?

Tudo começa no acúmulo das nossas omissões causando intensos desequilíbrios emocionais, cuja raiz de tudo está no medo.  O medo é uma das nossas emoções mais primitivas e é o fundo de nossos desequilíbrios. A insegurança é a primeira manifestação dos nossos medos. Quando nos sentimos inseguros, a emoção que está por trás é o medo. A omissão  e a falta de reflexão diante das nossas inseguranças alimentam ainda mais nossos medos que uma hora ou outra vão se manifestar de forma acentuada.

O medo gera a raiva, esta quando guardada gera a mágoa, a mágoa alimenta as suscetibilidades. O grau de raiva é proporcional aos graus de omissão e medo. Da raiva gera a cólera, a cólera gera a fúria. A paixão gera a raiva, a raiva gera a mágoa, a mágoa gera o ressentimento, o ressentimento gera o ódio. O ódio gera a crueldade.  A paixão pode gerar a compaixão, a indiferença afetiva ou o apego.

Vamos ver o gráfico desse ciclo:


Nossa inabilidade de administrar nossas ações, emoções e pensamentos nos levam às atitudes omissas e ao caos emocional, então começamos a buscar saídas rápidas e soluções mágicas aos nossos problemas.

Onde nasce a expectativa. Criamos uma expectativa perante uma situação externa ou conosco mesmo, como a válvula de escape e fuga da minha realidade interna. Sempre que crio uma expectativa gero uma ansiedade, esperando que aquilo se concretize o mais rápido possível. O que na grande maioria das vezes não ocorre e minha expectativa não é atendida. Como é minha reação? Sinto-me derrubado, o mundo está contra mim, sou incapaz! Sem perceber que eu mesmo dei um valor acima do necessário para aquela situação. Vejo-me derrotado e inevitavelmente vem a frustração.

As repetições diversas desse ciclo,  me levam ao estresse emocional, mental e físico. Nesse momento a natureza nos dá o primeiro recadinho, sentimos a angustia. A angústia pode se manifestar apenas com uma sensação de aperto no peito ou até uma dor profunda, ela tem o papel de nos alertar de que algo vai mal e se não pararmos para observar, vamos realmente perder o controle e chegar à depressão.  A depressão é resultado da distância entre o que sou e o que estou, isto é, o meu potencial produtivo (o que sou) sufocado pela minha desordem mental e emocional (o que estou). O grau da depressão é proporcional a diferença entre o quanto estou produzindo para o quanto posso realizar. Vamos fazer uma comparação simbólica: se o meu potencial produtivo for 10, mas eu produzo apenas 2; a intensidade da minha depressão será de 8. Ou ainda o tamanho da expectativa daquilo que eu gostaria de ser ou fazer, e não consigo.

Basta observar os pequenos movimentos de nossa vida para identificar o Ciclo da Improdutividade, movimento esse que toma conta de nossos dias, gerando a síndrome da ansiedade.


Para acabar com a depressão vão aqui as dicas:

            1ª – Planeje com antecedência

            2º - Aprenda a viver com a lei da imprevisibilidade

            3º - Procure  realiza apenas aquilo que é viável

            4º- Ouse sempre com planejamento

            5º- Lembra-se não existe milagre, imaginar planejando é diferente de sonhar.

Hoje não sabemos mais discernir a diferença entre ansiar e realizar. Sempre acreditamos que se estamos ansiando ou querendo algo, isso vai acontecer, mas isso não é verdade, pois na maioria das vezes as coisas não dependem só de nós, pois envolvem inúmeros fatores e pessoas.  Alimentamos nossa ansiedade e frustração sem a menor reflexão, avaliação e tudo isso sem a menor necessidade. Cuidado, é muito fácil ser um imitador voraz, isto é ver, nos outros, o que eu gostaria de ser ou ter.

Para quebrar este ciclo, temos que trocar as expectativas por observação e reflexão sobre as reais condições que temos para que nossos projetos se concretizem. Sim, eu disse projetos e não sonhos ou desejos. Podemos e devemos idealizar, sempre! Mas nunca perder o nosso senso de avaliação e capacidade de realização dentro do nosso projeto de vida.

            A compreensão de lei da imprevisibilidade é fundamental. Essa lei está presente no movimento da vida, queiramos ou não. Nada está totalmente programado e acordado, a vida é resultado de movimentos e situações imprevisíveis. Ter consciência deste fato  já é o início do senso de realidade, a vida não foi, não é e jamais será como queremos que ela seja, afinal não somos formigas e nem baratas, somos seres humano com o dom de transformar e aprender com as nossas pernas. Estamos conectados o tempo todo a atitudes, decisões e atos alheios, que não dependem de nós, muito menos da nossa vontade e desejos. Essa é a grande sacada da vida e que nos difere dos outros animais.

A aplicação das 5 regras se encaixa exatamente nesse processo, quando observo e reflito, tomo decisões, me planejo, me preparo de acordo com a realidade. O exercício de observar, refletir, tomar atitude, agir e saber esperar, que não necessariamente acontece nessa ordem, é o que nos mantém com os pés no chão e pode nos ajudar a evitar grande parte das frustrações futuras. Aprendemos a transformar frustrações em experiências, erros em aprendizagem. Isso é uma conquista individual, depende de nós aprendermos a administrar nossas emoções e inverter nossas polaridades. Nada vai cair do céu.

A observação garante que eu identifique o que ocorre ao meu redor, e comigo mesmo, percepcionando não somente o que está explicito, mas também as intenções das pessoas e a minha própria intenção frente alguma situação. A nossa intenção e a do outro fazem toda a diferença, pois quando cometemos um erro com boa intenção, o que vale é a experiência, mas quando cometemos um erro de má fé, estamos indo contra a natureza do universo e teremos que retomar esse erro em algum momento da nossa caminhada.

Com a reflexão passamos a enxergar novas maneiras de resolver conflitos, de responder às situações impulsivamente, passando então, a planejá-las. Tomando atitude sobre quais serão meus próximos passos e decidindo internamente os riscos que irei assumir. Agindo de maneira mais coerente. Dessa forma o momento de saber esperar pelos resultados não irão gerar ansiedade, e sim contínuo trabalho, fazendo o que precisa ser feito sem estresse e desgaste. E sabendo que a lei da imprevisibilidade está presente incontestavelmente o tempo todo. Invisível como o vento, mas forte como uma tempestade, transparente como o ar que respiramos, mas a sua ausência é estagnação com certeza.

Como a prática das 5 regras deve ser em nível global, ou seja, em todos os ambientes da vida, o trabalho de autoconhecimento e a aplicação delas foi chamada pelo Dr. Paulo Zabeu de Autogestão Integral, já que seu principal objetivo é orientar o ser humano no seu caminho do autoconhecimento, aprendendo a gerenciar e administrar por si só sua vida. Esse processo traz com a prática alguns benefícios, como: Comando da Mente, Controle das Emoções, Assertividade nas Ações. Passo a ter controle de minhas ações, pensamentos e desejos de qualquer natureza, aprendendo a administras diferentes situações. Tenho controle sobre minhas emoções, como paixão, ira, remorso, magoas, evitando assim atitudes omissas ou impulsivas, e como conseqüência sou mais preciso e assertivo em minhas decisões, fazendo opções mais corretas e simples.

Assim para que eu não caia novamente no ciclo da improdutividade e deixe de administrar com bom senso e equilíbrio meus movimentos, preciso eliminar o que chamamos de fatores inúteis, são eles: o ócio, a bisbilhotagem, o apego, a impulsividade e a omissão. O ócio e a bisbilhotagem levam o homem a perda total do controle de sua mente, pois quando gasto minha energia com pensamentos inúteis ofusco a clareza mental e minha percepção da realidade, ou seja, perco o discernimento.

A omissão leva o homem ao fracasso emocional, pois nada mais é, do que o ato de fugir da realidade ao invés de encarar as situações de frente, a omissão nasce no medo de perder pessoas, poder, riqueza ou de não ser aceito. Para evitar a possível perda nos anulamos, acomodamos, passamos a ser indiferentes, sempre nos fazendo de vítima das situações, enganando assim somente a nós mesmos. Também como conseqüência do medo da perda, desenvolvo o apego, que nos escraviza, trazendo sofrimentos desnecessários.

A impulsividade é o movimento oposto, ajo por emoção, atropelo pessoas e coisas que me cercam, sem reflexão. Geralmente não sou omisso ou impulsivo, e sim os dois, pois fico inconstante, variando o tempo todo entre atos omissos e atos impulsivos. 

Autogestão integral é uma maneira de nos fazer tomar consciência de nossos atos, identificando nossas limitações e capacidades. Através da prática das 5 regras o tempo todo e do desenvolvimento dos 3 princípios vou aos poucos eliminando o fator inútil e saindo do ciclo da improdutividade.

A prática do Yoga Natural também traz ferramentas para o exercício da autogestão: os pranayamas, asanas e os bons hábitos alimentares reeducam nosso corpo, potencializando nossa capacidade física para lidar com os problemas e pressões do dia-dia. A prática dos mantras e o exercício das 5 regras diariamente auxilia na educação da mente, e nos prepara para adotar um novo padrão de comportamento. E por fim a meditação, que através do saneamento da mente nos coloca em contato com a verdadeira natureza do ser, seu espírito.

É importante dizer que esse caminho é longo e demanda disciplina, para com as pequenas coisas, para o exercício constante. Necessita também de compromisso, pois é um caminho sem volta. Por fim a flexibilidade, pois o autoconhecimento é o exercício de cair e levantar, avançar e recuar sempre estando disposto a recomeçar, às vezes partindo do zero, o caminho é longo e não é preciso pressa, e sim continuidade. Comece hoje. 

 

Artigo escrito pelas voluntárias:

 

Paula Andréa S. Sousa Ramos, psicóloga, Mariana Ferreira Martines, pedagoga e revisado pelo Dr. Paulo Zabeu, criador da Pedagogia Integrada.