A mente
Você já se questionou sobre o que é realmente verdade e o que é mentira? Quantas ilusões criamos em nosso cotidiano sem nos darmos conta? Nossa mente trabalha 24 horas por dia, como um computador que não é tirado da tomada, os pensamentos, os desejos, os sonhos, se misturam no tempo e no espaço e acabam por determinar nossas ações, nossa personalidade.
Mas será que realmente a mente é um computador confiável? Podemos tomar como exemplo o personagem John Nash (Russel Crow) do filme uma Mente Brilhante. John passa a viver como se fosse real uma situação criada por sua mente, é claro que o personagem apresenta um quadro de esquizofrenia, mas em escala menor essa situação se repete com todos os seres humanos mesmo que ele não se de conta disso.
A mente é agente produtor da nossa realidade interna. Ela é um depósito de experiências que faz com que nós passemos a viver do resumo de nossas vivências passadas. A vida mental é uma ilusão e nós a tomamos como real e verdadeira devido a nossa ignorância.
Existem dois tipos de mentiras que criamos para nós mesmos: a primeira é a mentira que nós sabemos que é mentira, mas nos tornamos dependentes delas, como exemplo, a ação de má fé, ou quando culpamos outro por uma falha nossa, ou lesamos o outro para sair em vantagem, é uma velha história de orgulho e vaidade que pode nos tornar cada vez mais omissos e preguiçosos. Usamos da mentira para parecermos poderosos e intocáveis, mas na verdade não passamos de preguiçosos e covardes.
O segundo tipo de mentira é a que não sabemos que é mentira, essa possui conseqüências maiores do que o primeiro tipo, podemos citar a falsa sublimação, a auto piedade, a crença de que somos um coitado, de que Deus vai nos ajudar resolver nossos problemas. Esse tipo de pensamento não surge em uma só vida, faz parte de um condicionamento que tenho registrado em minha mente e adoto esse comportamento como verdadeiro, sem reflexão. Esse tipo de postura condicionada cria uma névoa em nossa lucidez e nos tornamos cada vez mais suscetíveis, melindrosos e internamente fracos.
Essas mentiras e ilusões são originadas na mente que apesar de nos acompanhar durante as várias reencarnações é passageira, e também não é real. Ela é como uma bolha de sabão onde armazenamos ao longo de nossas várias vidas nossos pensamentos, idéias, tradições condicionamentos e emoções. A mente é uma necessidade para o ser no momento presente, mas não é uma realidade eterna no caminho de elevação do ser.
Mas então porque precisamos da mente se o que armazenamos nela não é real e nem ela mesma o é? A mente énecessária para climatizar a nossa presente existência, lá estão armazenadas experiências guardadas de muitas vidas, assim como um dia após o outro, ao acordamos de manhã lembramos naturalmente o que somos e onde estamos, uma vida após a outra nos identificamos com a nossa persona (mascara) no teatro da vida. A mente é como uma grande cidade cheia de ruas, onde a cada momento temos que escolher um caminho a seguir. Sem a prática da observação e da reflexão encontraremos sempre os becos sem saídas.
Então o que é real? Tudo que é verdadeiramente real e por sua vez também eterno não fica armazenado na mente, e sim na consciência. A consciência é o alojamento onde mora a sabedoria eterna que nos une ao criador, localiza-se na centelha divina, o espírito. Traduzindo para os dias de hoje podemos citar como exemplo quando adotamos uma postura digna e responsável diante da vida estamos agindo pela consciência e não pela mente. Podemos ter a impressão de que vivemos 100% nossa mente, deixando a consciência sufocada. Esse fato não deixa de ser verdadeiro. Nossas mentiras (mente) tornam difícil a conexão do ser com a consciência e nos deixa cegos, surdos e mudos diante da vida.
Mas como amenizar essa cegueira e abrir o caminho para a lucidez, para a realidade verdadeira?
A prática da meditação traz para nós o senso de realidade, e o senso crítico, que permite que eu identifique as mentiras e deixe surgir minha força interna, esta ultima corresponde a todo meu potencial produtivo. Esse processo abre os “olhos interiores” e muitas vezes nos causa dor, arrependimento, remorso, mas para a consciência esses sentimentos se traduzem como alívio espiritual, uma libertação. E com o tempo passamos a perceber a conseqüência desse alívio também em nossa vidas, ao nos libertarmos de antigas mentiras, condicionamentos.
É um caminho árduo de trabalho e persistência, e não basta somente a meditação, é necessário adotar o autoconhecimento como hábito diário, e entender que esse é um processo que se inicia hoje para se terminar daqui há muitas outras vidas, mas que quanto antes começarmos mais cedo colheremos os frutos saborosos do futuro.
“A vida pode ser também desfrutada, mas essa não é sua verdadeira finalidade”.
Paulo Zabeu
Campinas,18 de janeiro de 2009.
Artigo escrito por Mariana Ferreira Martines - Pedagoga
Professora de Yoga Natural, Secretária Voluntária da Área de Gestão do Autoconhecimento e
voluntária da Fundação Bezerra de Menezes há 12 anos.
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