A Dignidade
Palavra forte e tão necessária nos dias de hoje. Mas será que sabemos o que é Dignidade? Como nos diz Dr. Paulo Zabeu, as coisas só são identificadas quando delas precisamos. Assim na busca pelo autoconhecimento e no exercício de experenciar, caindo e levantando e aprendendo com os nossos erros e acertos, vamos hoje refletir com ele e aprender quais são os requisitos necessários para construirmos a nossa dignidade.
“Dignidade é a autoridade de manter o controle e o comando de nós mesmos diante de qualquer circunstância adversa.” Dr. Paulo Zabeu
Circunstâncias adversas são o que mais vivemos em nosso dia a dia. Sem observar e refletir nos deixamos comandar o tempo todo pelo descontrole de nossas emoções que oscilam entre a impulsividade e a omissão.
Você sabia que quando pedimos algo ou alguma coisa para alguém por comodismo, algo que nós mesmos poderíamos fazer, estamos perdendo a nossa dignidade?
Pensamos que agimos com dignidade quando reagimos às situações que nos causam melindres e suscetibilidades, tentando manter o controle das pessoas e situações para manter nosso poder, nossa vaidade, preguiça e orgulho.
No entanto estamos na verdade nos afastando de nós mesmos e ampliando ainda mais o espaço existente entre a tristeza e a alegria, a angústia e a felicidade, quebrando nossa harmonia interna e ferindo nossa integridade. Expomos-nos de forma leviana e sem reflexão. Quando poderíamos refletir sobre nossa postura, analisar o contexto, decidindo internamente tomar a melhor atitude para o bem do todo, aprendendo a esperar o tempo corrigir tudo.
Dignidade é um padrão de comportamento máximo, não existe meia dignidade, ela é a única coisa que não podemos perder, vender, trocar, dar ou receber, ela é construída através da reflexão contínua e do tempo. O dia em que perdermos a nossa dignidade teremos perdido a nossa identidade e ferido a nossa liberdade.
Identidade é o conjunto de histórias que nos constroem e nos reconstroem, e a dignidade é a base que sustenta e consolida nossa evolução e elevação no universo.
A dignidade está diretamente ligada ao nosso estado de consciência. Ela é individual e intransferível, ela é o vínculo entre o espírito e o criador, ela jamais se corrompe.
Quem age com dignidade é absolutamente impessoal, faz o que precisa ser feito doa a quem doer sem acordos, mas sempre age com foco no bem do todo, nunca para alimentar seus próprios interesses. Tem sensibilidade de dosar as suas exigências e a flexibilidade de ceder quando necessário for.
A dignidade tem sempre como endosso a verdadeira intenção. Ela é fruto do trabalho árduo e incessante para vencer nossos limites reconhecendo nosso universo de conflitos e soluções, buscando assumir o controle das nossas emoções, o comando da nossa mente e a assertividade nas nossas ações. Mas por trás de todo esse movimento interno, existe sempre a compreensão de entender o outro, o estado, o momento e o seu estágio evolutivo que o outro se encontra; essa é a verdadeira caridade.
A dignidade jamais deixa de fazer o que tem que ser feito, mas saber esperar o momento apropriado.
Ela é o único patrimônio real e verdadeiro que nós como seres eternos carregamos na infra-consciência, acessando diretamente nossa essência divina, nos tornando pessoas firmes, seguras e auto-credíveis.
A partir do momento que fizermos o que tem que ser feito para o bem do todo nos tornaremos dignos.
Assim podemos concluir que quem busca dignidade nos dias de hoje pode comparar-se a um grão de areia no deserto, e que a única coisa que vale a pena nessa vida é ter dignidade, ela é o verdadeiro patrimônio que levamos por toda eternidade.
Vamos aos requisitos para construirmos a Dignidade:
1) Discernimento
É a base da Dignidade - depende do quê, como, para que, para quem e quando vamos agir e quais serão as conseqüências das nossas ações.
Dr. Paulo Zabeu define em seu livro “Faça Você Mesmo o seu Destino“ o que é discernimento:
“É a habilidade de determinar, entre situações e movimentos opostos, o equilíbrio perfeito.” “É a sabedoria de escolher, fazer, dividir e realizar na medida exata de cada coisa, movimento ou necessidade. É a mãe do juízo.”
O discernimento é fruto da prática da flexibilidade e do exercício de avançar e recuar, sempre para o bem do todo.
2) Flexibilidade
É fruto da reflexão. Segundo Dr. Paulo Zabeu, “é a capacidade de avaliar diante de várias alternativas, e abrir mão, quando necessário, daquela de sua preferência, fazendo o que tem que ser feito, mesmo que não lhe agrade totalmente, mas seja para o bem do grupo. É a arte de recuar para o bem de todos, sem conchavos.”
3) Reflexão
É o ingrediente principal para construirmos a dignidade. “É questionar entre dois pontos e encontrar a solução mais produtiva para o bem do todo.” Ela é fruto da observação 24 horas por dia. Através da prática da observação e da reflexão vamos identificando e quebrando nossos condicionamentos, educando nossa mente, construindo novos padrões de comportamento.
4) Tempo
É fruto do saber esperar. “É ter continuidade no processo de mudança e acompanhar os movimentos com serenidade.”
É manter-se calmo e sem ansiedade, apesar da dor que sentimos diante das adversidades, esperando o tempo passar, administrando os movimentos de nossa vida, mas sempre aprendendo que mesmo dos momentos ruins sempre podemos e devemos tirar algo de bom, mantendo a serenidade.
Devemos dar tempo ao tempo, apesar das adversidades e dificuldades devemos manter a coerência de nossos atos, aprender com nossos erros, sem jamais deixar de crescer e experenciar para construir e consolidar nossa Dignidade.
Quem quiser saber mais sobre os temas aqui abordados, recomendamos a leitura dos livros “5 Regras para Vencer seus Limites” e “Faça Você Mesmo o seu Destino” do Dr. Paulo Zabeu.
Campinas, 11 de Janeiro de 2009.
Artigo escrito por Carmen Lúcia F. Martines - Psicopedagoga
Coordenadora de Projetos Educacionais e Educadora voluntária da
Fundação Bezerra de Menezes há 13 anos.
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